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"A vida tem caminhos estranhos, tortuosos às vezes difíceis: um simples gesto involuntário pode desencadear todo um processo. Sim, existir é incompreensível e excitante..." (Caio F. Abreu)
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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Helga e o fim das terapias...

Helga contava com bem mais de 40 anos.

Nunca foi uma beldade, mas em toda a sua vida, foi aos 40 que ficou mais vistosa. Naquela altura do campeonato, ela já havia tentado de tudo para encontrar a alma gêmea, a paixão de sua vida. Enfim, a razão para ter nascido: Viver um grande amor!

Morava em apartamento próprio, tinha seu próprio carro, assava seu próprio churrasco. Era uma profissional muito cobiçada no mercado. Só não era cobiçada para ser namorada de ninguém.Fez terapia. Todas que se puder imaginar, fróidiana, iunguiana, raichiniana, transcendental, vidas passadas, regressão. Sem contar que por muito tempo sustentou uma cartomante. Foi quando resolveu comprar um tarô e aprender a lançar a própria sorte, pois caso contrário teria que declarar falência em breve. 

Freqüentava bons ambientes. Academias de ginástica, clubes, restaurantes, centro de cultura, assistia todos os filmes. De Wim Wenders, a Mazaropi. Mas sinceramente, os filmes que mais gostou, e nunca disse, eram “Uma Linda Mulher” e “O vento levou”. Morou quase um ano num mosteiro no Tibet, pra ver se largava dessa idéia ridícula que é uma mulher passar a vida atrás do grande amor. Tentava praticar o desapego, a ser zen. 

Apaixonou-se por homens mais velhos, mais moços, com cultura, sem cultura, com dente, sem dente, com cabelo, sem cabelo, gordos e magros. Enfim, nunca discriminou partido. Quem sabe não estaria ali o príncipe ? Já estava prestes a se apaixonar pelo apresentador do noticiário  Afinal, todas as noites, ele lhe dizia um “Boa noite!” de um modo tão romântico, tão intimo e pessoal...

Quando já estava desistindo, resolveu que a última alternativa seria a Internet. Muito temerosa, adentrou naquele mundo que até hoje não sabe bem onde fica, o virtual. Sentiu medo, receio. Tantos casos de psicopatas, loucos, assassinos, pedófilos. Bem, no caso não era o caso. Existiriam velhófilos?

O resumo da ópera? Foi ali, no mundo virtual, que a cansada Helga encontrou sua alma gêmea! Atualmente está feliz, vivendo há mais de dez anos com o amor da sua vida. Ele não é um príncipe, o que é uma pena. É um homem - e o bom é que não tem nada de virtual!

(Postagem original de Jun/2010 - Helga e sua história de Amor - Dinorah - http://dinorahcomaganofim.blogspot.com)

domingo, 30 de janeiro de 2011

A frustração de Dinorah (com agá no fim)...

Enquanto minha cuca tenta um refresco cá na sombra do meu quarto, pois ainda lateja feito dedão que levou uma martelada fortuita e descuidada, fui dar uma passeada no blog da minha nova amiga Dinorah (http://dinorahcomaganofim.blogspot.com), porque precisava algo que aliviasse a roxidão e tudo o mais...e consegui ! Hum rum...vamos ler um de seus textos...
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Aconteceu numa manhã em que não acordei assim como diria, com o pé direito, fosse homem diria que havia amanhecido com “osovovirado”.

Fazia pouco tempo que havia sido assaltada e andava bem paranóica com a impressão de que seria assaltada a qualquer momento. Naquele dia não estava muito animada. No caminho até o trabalho, comecei a sentir uma irritaçãozinha, que aumentava e quando me dei conta estava com ódio, não me pergunte do quê ou de quem – odeio pensar que sou uma pessoa capaz de sentir ódio, mais um motivo para estar odiada. A expectativa de ter como pagar o cartão de crédito era tão real quanto a de arranjar um namorado, daqueles que andam de mãozinhas dadas, que dizem que somos especiais, o melhor que aconteceu em suas vidas.

Enfim, expectativa de dinheiro e de amores = ZERO. Vontade de sumir = MIL.

Foi quando avistei, vindo em minha direção, um rapaz com um jeito suspeito. Entrei em alerta. Ele ainda estava a uma distância razoável, tive tempo de planejar a minha auto defesa. Tirei a sombrinha da bolsa – a minha sempre andou cheia de qualquer coisa que “um dia” pudesse ser útil, só o laquê novinho já dava um bom peso. Planejei: No momento em que este imbecil chegar à minha frente eu bato com a sobrinha na cara dele, dou um pontapé no saco, deixo ele caidinho no chão, bato muito com a bolsa - com o laquê dentro, lembra? Chuto mais uma vez o saco. Grito! Grito muito: - Filho da puta! Sem vergonha! Infeliz!

O rapaz se aproximava e eu me sentia como se, sozinha, fosse uma tribo inteira daqueles índios que surgem de surpresa, aos milhares, por detrás de uma colina, prontos para atacar o General Custer. E o rapaz estava mais perto, e a sombrinha já estava na mão certa, e a alça da bolsa enrolada na outra mão. Eu já estava quase babando de ódio e prazer imaginando que teria em quem desancar toda a minha insatisfação, minha ira. O rapaz chegou perto, mais um pouquinho e estaria no ponto para receber a primeira bordoada.

Infelizmente, não sei por que, ele passou reto, sequer me olhou, como se eu não existisse. Aquilo me deixou ainda mais irritada.

Guri dos infernos! Nem pra assaltar e tomar uma boa sova serve! Tudo o que eu queria naquele instante era gritar e bater muito no primeiro infeliz que cruzasse o meu caminho. Aquele não assalto conseguiu me deixar ainda mais irritada. Fiquei tão frustrada que chorava de decepção – e ódio.

...não consigo lembrar se estava com TPM...
PS.: Hehehehe...Beijos Dinorah, um domingo abençoado para ti guria
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