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"A vida tem caminhos estranhos, tortuosos às vezes difíceis: um simples gesto involuntário pode desencadear todo um processo. Sim, existir é incompreensível e excitante..." (Caio F. Abreu)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Quanta dor foi preciso...

Um pequeno poema de Bertolt Brecht diz:

A minha mãe.
Quando ela acabou, foi colocada na terra
Flores nascem, borboletas voejam por cima...
Ela, leve, não fez pressão sobre a terra
Quanta dor foi preciso para que ficasse tão leve!

A dor nos faz mais leves, quando extraímos dela o sumo da sabedoria. De nada adianta sofrer e continuar o mesmo, com a mesma maneira de pensar, com os mesmos vícios...A dor sempre ensina. A dor sempre esculpe. Cabe ao aluno deixar-se ser formado/moldado por ela.

A dor vai retirando, a golpes de cinzel, o que, no bloco de mármore da vida, não é beleza, não é escultura. Num primeiro momento, e numa visão acanhada, os golpes são cruéis, ferem, sangram. Mais tarde, porém, apenas mais tarde, pode-se ver o bloco, antigamente disforme, agora tomando formas definidas e certas.

Assim é o sofrimento. Quase sempre é compreendido apenas com o passar do tempo e quando a visão madura de nós mesmos sobrepõe o imediatismo persistente na alma. Saímos mais leves da vida, certamente, quando aprendemos com o sofrer; quando não repetimos mais os mesmos erros e eles não mais nos escravizam. 

Saímos mais leves daqui, quando arrancamos de nós os pesados vícios - essas cargas perversas que insistimos em carregar pelos dias. Saímos mais leves, sim, ao entender que somos os maiores prejudicados quando guardamos mágoa, quando permitimos que um sentimento negativo fique ressentindo em nosso peito por tanto tempo.

Saímos aliviados da existência, quando a doença nos consumiu a vida do corpo, mas renovou a vitalidade da alma, que agora nasce de novo, deixando na enfermidade transata os débitos com a Lei maior. É certo que a dor é educadora enérgica e implacável, mas é professora indispensável de nossas existências inseguras e irresponsáveis.

É de entendimento geral que, quanto mais responsável e maduro o educando, mais flexível e ameno pode ser o educador. Vivemos ainda a época dos educandos rebeldes, aparentemente incorrigíveis, por isso a mestra dor precisa atuar com tanta veemência e rigidez.

 (A dor e suas bençãos - Livro Fonte de Luz - Joanna de Angelis)

2 comentários:

ROSINHA disse...

Boa reflexão...

Cristina Lira disse...

Olá Nando! Tudo bem?
Olha, este texto me fez recordar de minhas dores passadas, mas em especial, de uma dor que quase me consumiu, era como se estivesse sendo enterrada viva, como um pedaço de minha carne fosse arrancado cada dia...se fosse enumerar meus sofrimentos não caberiam, por certo, nos espaços para comentário deste cantinho, a dor parece-me que até já se sensibilizou comigo,rs,e esta dor foi por questoes de saude...as outras dores, não menos piores, as sentimentais, ah, mais me manti firme, soube sorrir, quando na verdade queria me afogar em lágrimas, mas obom foi ter aprendido, ter visto tudo sob um olhar diferente...e quando a gente olha pra trás nota o quanto sábios fomos, o quanto FORTES fomos... considero as dores venenos e remedios, doenças e antidotos...Ahhh, mudando de assunto, quero mesmo UM DIA, como vc mesmo falou, saber deste amor gitano, viu? agora que vc comentou, nem pense que escapará da minha curiosidade..rs!

Bjos no coração, paz pra vc e sua familia...e um bom fim de semana.
Se cuida Nando!
xeroooooooooooo...fuiiiii

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