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"A vida tem caminhos estranhos, tortuosos às vezes difíceis: um simples gesto involuntário pode desencadear todo um processo. Sim, existir é incompreensível e excitante..." (Caio F. Abreu)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Recordações de minha cidade...

Minha nova amiga C, de Viena, na Áustria (o Irmão das Estrelas é internacional gente...xiq nos úrtimo...hehehe), em comentário fala de seu nascimento no Hospital de Clínicas, da UFPR, que se localiza atrás do Colégio Estadual do Paraná, que ontem foi mencionado em meu post de "devaneio". Aí, pronto : deu um estalo na memória, uma certa melancolia, e uma saudade imensa de meu pai e de meu avô...humpft !

É que, no fim da década de 1950, nos anos 1960 e, até o início da década de 1970, os dois Ricardo's (meu pai e meu avô) possuíam uma Oficina de Eletrônica ali na Praça 19 de Dezembro, mais conhecida por todos como a Praça do Homem Nú (hoje devidamente acompanhado de sua "Mulher Nua"). Era quase na esquina com a Riachuelo, famosa naqueles tempos como a Rua das Meretrizes (isso...mulheres damas, mulheres da vida...prostitutas, pronto). Hoje, infelizmente, é mais conhecida como "Cracolândia".

Naqueles anos, vivi intensamente minha adolescência nessas "paragens". A praça 19, a Praça Generoso Marques, a Praça Tiradentes, todo o Centro Histórico de Curitiba enfim...caminhava e conhecia cada Rua, Travessa, Avenida...frequentava muitos dos Bares Boêmios de então, na companhia do meu pai. Boemia era sinônimo de "intelectualidade" e não de baderna e sacanagem. Os poetas, escritores, jornalistas, críticos, atores e atrizes, etc...encontravam-se desde cedo nos Bares da moda para trocar experiências, jogar conversa fora, desanuviar a cachola e, principalmente, sorrir e beber com os amigos.

Mas...mudando de sacolinha plástica para mala de lona, quando citei a moradia de C, Viena, lembrei dos sábados em Floripa, há muitos anos atrás...Meu filho, então adolescente, já iniciava uns "passos" no samba e pagode (não é que o piá virou pandeirista ?...hehehe) porém, nesses dias (sábados), escutava música Clássica em alto e bom som. Eram CD's que eu adquiria : Bach, Chopin, Beethoven, Verdi, Puccini...e, claro, as Valsas Vienenses : Danúbio Azul, a Valsa do Imperador, Contos dos Bosques de Viena, Folhas da Manhã, os Patinadores...etc...

Caráca...saudade demais...saudade boa, sem nós na garganta pelo fato de meus amados pai e avô não estarem mais neste plano físico, assim como pelo fato de meu filho permanecer em Floripa distante de mim (fisicamente)...Só saudades...e vontade de "reviver" tudo aquilo de novo...hum rum !

Um lindo anoitecer a todos ! Deus os abençoe !

Um comentário:

C. disse...

Conheço bem esse sentimento saudoso que você teve Fernando... nao só daquela época, como de pessoas (pai e mae) que já se foram.

Curitiba mudou bastante, creio já nao é mais aquela cidade em que se podia andar livremente pelas ruas das meretrizes. Há que se ter o máximo cuidado agora, principalmente nessa região.

Eu fui do tempo do Largo da Ordem, você foi também?

O Hospital de Clínicas nao somente presenciou o dia que nasci, mas o dia do falecimento de meu pai também. O HC prometia muitas emocoes pra mim, como vê.

Enfim, de HC para as valsas de Viena, é maravilhoso mesmo, e poder passar em frente da ópera onde essas valsas foram tocadas pelos grandes gênios, nao tem preco! Sabe que a tradição aqui no ano novo à meia noite é dançar uma valsa? Lindo!!

Você contrastou muito bem esses dois lugares que fazem parte de mim, assim como o sentimento que se acometeu de você e te inspirou esse ótimo texto. Da minha parte, agradeço e me sinto "des-saudosa" pelo menos por um minuto :-)

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